
"O sonâmbulo está meio dormindo e meio acordado”, afirma Carlos Schenck da University of Minnesota, “O cérebro produz ondas delta e teta, o que demonstra realmente que a pessoa está em um estado de atividade noturna”. Normalmente o sonambulismo ocorre durante o terceiro e o quarto estágio do sono não-REM, os estágios mais profundos, caracterizados por um sono de ondas baixas, ou delta, e pouco sonhos ou nenhum".
(Fonte: http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/fato_ou_mito_acordar_um_sonambulo_pode_mata-lo__2.html).
Não posso dizer que meu cérebro estava produzindo as ondas delta e teta, até porque a atividade não era noturna. Acho que também não era o estágio de REM, ou qualquer outra banda parecida. Mas o fato é que o relógio completava 13hs:35min, quando eu finalmente ingressei em um dos pomposos salões de julgamentos da Corte da Cidadania, após aguardar, sem almoçar, algumas dezenas de minutos em pé às portas do plenário. Não havia muitos espectadores, mas minha missão era a de acompanhar um importante julgamento. Encontrei uma confortável poltrona verde, modelo Giroflex, e me acomodei. O que vem depois eu não lembro bem. De fato, adormeci. Acredito que minha missão não tenha sido atribuída em qualquer sonho, pois, realmente, eu antes acordado estava. Acho que não tenho tendências sonambulares. Enfim, não precisou nada mais do que o cair da caneta para me despertar. Acordei. Ainda sentado em minha confortável poltrona, olhei ao derredor e notei que eu protagonizava a platéia: somente eu ocupava as cadeiras daquele plenário. Com os olhos ainda embaçados, olhei para frente e me deparei com a Excelentíssima Doutora Ministra Presidente discursando com os olhos fitados em minha direção. "Nunca antes nesta Corte, me vi diante de tamanho desrespeito com a seriedade deste STJ. Não é possível em tempos como os nossos tal prática. Isso é inaceitável". Estas foram as doces palavras que quebraram o silêncio de meu sono, que acredito tenha durado alguns segundos, apenas. Nesta altura, eu já planejava mudar de profissão, afinal eu era estudante! Poderia escolher um curso à distância ou algo parecido. Mudar de cidade também seria uma boa. Mas, felizmente, o discurso continuou "Não podemos tolerar recursos como este. A Corte não pode incentivar a protelação da realização de um direito, deixando de punir quem dirige esforços neste sentido. Meu voto é pela aplicação da multa". Ufa! Meu sono não estava sendo julgado; o meu caso, também não. Voltei a dormir. Cumpri minha missão.
(Fonte: http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/fato_ou_mito_acordar_um_sonambulo_pode_mata-lo__2.html).
Não posso dizer que meu cérebro estava produzindo as ondas delta e teta, até porque a atividade não era noturna. Acho que também não era o estágio de REM, ou qualquer outra banda parecida. Mas o fato é que o relógio completava 13hs:35min, quando eu finalmente ingressei em um dos pomposos salões de julgamentos da Corte da Cidadania, após aguardar, sem almoçar, algumas dezenas de minutos em pé às portas do plenário. Não havia muitos espectadores, mas minha missão era a de acompanhar um importante julgamento. Encontrei uma confortável poltrona verde, modelo Giroflex, e me acomodei. O que vem depois eu não lembro bem. De fato, adormeci. Acredito que minha missão não tenha sido atribuída em qualquer sonho, pois, realmente, eu antes acordado estava. Acho que não tenho tendências sonambulares. Enfim, não precisou nada mais do que o cair da caneta para me despertar. Acordei. Ainda sentado em minha confortável poltrona, olhei ao derredor e notei que eu protagonizava a platéia: somente eu ocupava as cadeiras daquele plenário. Com os olhos ainda embaçados, olhei para frente e me deparei com a Excelentíssima Doutora Ministra Presidente discursando com os olhos fitados em minha direção. "Nunca antes nesta Corte, me vi diante de tamanho desrespeito com a seriedade deste STJ. Não é possível em tempos como os nossos tal prática. Isso é inaceitável". Estas foram as doces palavras que quebraram o silêncio de meu sono, que acredito tenha durado alguns segundos, apenas. Nesta altura, eu já planejava mudar de profissão, afinal eu era estudante! Poderia escolher um curso à distância ou algo parecido. Mudar de cidade também seria uma boa. Mas, felizmente, o discurso continuou "Não podemos tolerar recursos como este. A Corte não pode incentivar a protelação da realização de um direito, deixando de punir quem dirige esforços neste sentido. Meu voto é pela aplicação da multa". Ufa! Meu sono não estava sendo julgado; o meu caso, também não. Voltei a dormir. Cumpri minha missão.