terça-feira, 29 de setembro de 2009

Acórdão!




"O sonâmbulo está meio dormindo e meio acordado”, afirma Carlos Schenck da University of Minnesota, “O cérebro produz ondas delta e teta, o que demonstra realmente que a pessoa está em um estado de atividade noturna”. Normalmente o sonambulismo ocorre durante o terceiro e o quarto estágio do sono não-REM, os estágios mais profundos, caracterizados por um sono de ondas baixas, ou delta, e pouco sonhos ou nenhum".

(Fonte: http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/fato_ou_mito_acordar_um_sonambulo_pode_mata-lo__2.html).

Não posso dizer que meu cérebro estava produzindo as ondas delta e teta, até porque a atividade não era noturna. Acho que também não era o estágio de REM, ou qualquer outra banda parecida. Mas o fato é que o relógio completava 13hs:35min, quando eu finalmente ingressei em um dos pomposos salões de julgamentos da Corte da Cidadania, após aguardar, sem almoçar, algumas dezenas de minutos em pé às portas do plenário. Não havia muitos espectadores, mas minha missão era a de acompanhar um importante julgamento. Encontrei uma confortável poltrona verde, modelo Giroflex, e me acomodei. O que vem depois eu não lembro bem. De fato, adormeci. Acredito que minha missão não tenha sido atribuída em qualquer sonho, pois, realmente, eu antes acordado estava. Acho que não tenho tendências sonambulares. Enfim, não precisou nada mais do que o cair da caneta para me despertar. Acordei. Ainda sentado em minha confortável poltrona, olhei ao derredor e notei que eu protagonizava a platéia: somente eu ocupava as cadeiras daquele plenário. Com os olhos ainda embaçados, olhei para frente e me deparei com a Excelentíssima Doutora Ministra Presidente discursando com os olhos fitados em minha direção. "Nunca antes nesta Corte, me vi diante de tamanho desrespeito com a seriedade deste STJ. Não é possível em tempos como os nossos tal prática. Isso é inaceitável". Estas foram as doces palavras que quebraram o silêncio de meu sono, que acredito tenha durado alguns segundos, apenas. Nesta altura, eu já planejava mudar de profissão, afinal eu era estudante! Poderia escolher um curso à distância ou algo parecido. Mudar de cidade também seria uma boa. Mas, felizmente, o discurso continuou "Não podemos tolerar recursos como este. A Corte não pode incentivar a protelação da realização de um direito, deixando de punir quem dirige esforços neste sentido. Meu voto é pela aplicação da multa". Ufa! Meu sono não estava sendo julgado; o meu caso, também não. Voltei a dormir. Cumpri minha missão.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Como tudo começou...

"A americana Julia Grovenburg, de Fort Smith, no Estado de Arkansas, está grávida de duas crianças geradas, aparentemente, em ocasiões diferentes, segundo informações da imprensa americana.Julia, de 31 anos, descobriu que estava grávida e foi fazer uma ultrassonografia de rotina, na 11ª semana, quando descobriu que havia outra bolsa gestacional em seu útero, com um feto duas semanas e meia mais novo.Segundo ela contou à imprensa americana, o susto foi tão grande que ela começou a se sentir mal."Passamos três anos tentando engravidar, e nada. Não quisemos tomar remédios para fertilidade, porque não queríamos gêmeos. Deus acabou rindo por último", disse Julia Grovenburg ao jornal New York Daily News.Segundo os médicos, esse provavelmente é um caso de superfetação, quando a mulher concebe novamente, já estando grávida.Aparentemente, os casos são tão raros que não há quase literatura sobre o assunto na medicina.Os médicos disseram que, como a mãe não fez exame do líquido amniótico, só será possível confirmar a hipótese quando os bebês nascerem e for possível realizar exames de cromossomos e metabolismo neles.Biologicamente, a data prevista para o nascimento dos bebês é diferente, e a mais velha - uma menina - deveria nascer no fim de 2009 enquanto que seu irmão mais novo nasceria no início de 2010.Os médicos afirmam que, se o intervalo entre as concepções fosse muito grande, poderia acarretar problemas para a criança mais nova, que nasceria prematura, mas neste caso, a diferença de apenas duas semanas e meia não deve ter grandes consequências".




E assim, trazendo à tona esta preciosa notícia, acatei ao clamor popular para registrar histórias, como protagonista, testemunha, ou meramente informador. Vale esclarecer, não estamos no campo do delírio, fabulagem ou anedotagem. É tudo verídico. Mas a emoção de quem desanuvia a narrativa pode fazer da história mais ou menos interessante.